segunda-feira, 11 de abril de 2011

SOBRE O AUTOR

MARCELO BACCINO por Marcelo Baccino

Nasci em 13 de julho de 1985. Aos 18 anos fui soldado combatente do Corpo de Bombeiros Militar do Pará, de 2004 até 2006. Fiz parte do movimento estudantil durante o tempo em que fazia meu curso universitário. Sou bacharel em turismo pela Universidade Federal do Pará (2004-2008) e Especialista em Patrimônio Cultural e Educação Patrimonial pela Faculdade Integrada Brasil Amazônia (2010-2011). Graças ao meu campo de trabalho e minha vontade de conhecer novas culturas viajei por todas as regiões do Brasil e por boa parte da América Latina como mochileiro ou como turismólogo.
            Pratico capoeira, jogo xadrez, sempre que posso me distraio em uma partida de sinuca, leio muito e participo de um grupo beneficente que realiza, para crianças carentes, eventos na páscoa, dia das crianças e natal.
Meu verdadeiro encantamento pela poesia deu-se com dezessete anos de idade quando tive a oportunidade de ler as poesias de Mário Quintana em seu livro Nariz de Vidro.
No meu décimo nono aniversário resolvi juntar todas as poesias que já tinha elaborado e as que iria escrever em um caderno sendo esta a origem do meu primeiro livro: VIÇO VERSADO.

POEMAS

O Toró

Não havia muito para comer;
Não tinha sombra para descansar;
O calor era intenso;
Então veio um velhinho;
Com um grande raio na mão;
Pisando em nuvens alvas e macias;
Era Tupã!
Fazendo a Mãe Natureza mandar...
Uma chuva todos os dias;
pelas tardes.
E as sementes do céu caíram;
foi o mais maravilhoso dos temporais!
Caíram e nasceram logo.

Brotaram as mangueiras de Belém!


BACCINO, Marcelo. Viço Versado. Belém: Santmel, 2011, p23.





Na minha alma
Tu sempre estarás
Escrita...

Quando penso em ti
As palavras vêem
Como um
Buquê de frases
Suaves e variadas
Palavras...
Palavras-flores
Coloridas
Cheirosas

                      BACCINO, Marcelo. Viço Versado. Belém: Santmel, 2011, p27.






Brasileiros
Miseráveis, explorados e submissos

Por que reclamam?
Se tomam Coca-cola
Se comem Mc Donald’s

Por que reclamam?
Se assistem Rede Globo
Se usam Nike

Brasileiros
Miseráveis, explorados e submissos

Nos somos responsáveis
Se a situação é vergonhosa
Se a condição é lastimável

Brasileiros
Miseráveis, explorados e submissos

Vivemos na penúria em meio a riqueza
Entregamos
o alvo e o fuzil

Brasileiros
Miseráveis, explorados e submissos


BACCINO, Marcelo. Viço Versado. Belém: Santmel, 2011, p35.





Lundú

Através dos meus olhos
Enamorados
Vejo-te demônia
A dançar
Teus movimentos de maré
Harmoniosos
A tua pele suada
Refletindo
A luz sideral

Angelical!
Veneno e doce mel
A face
O busto
Cor de canela

Move-te
Como a deusa das matas
Cabocla
Despertas
A fúria do desejo


BACCINO, Marcelo. Viço Versado. Belém: Santmel, 2011, p44.

OBRAS PUBLICADAS


Livro de poesia, lançado em março de 2011


   Na ponta dos dedos e à beira da sensibilidade do olhar vive o coração deste livro de Marcelo Pamplona Baccino. Em algum instante do caminhar promissor dos dezenove anos das suas palavras, ele escreveu: “poesia pode não ser minha vocação, mas é minha ambição”. Certo o menino, certo o homem: certeiro o poeta Marcelo Baccino. Talvez todo bom poeta deva – sempre – pensar assim. Este deve ser o porto / o parto de um poeta, a partitura do mundo da poesia que se sonha e se (en)canta. O norte dos poemas é vário e sempre mutante. Para nós, que amamos essa “luta vã”, resta-nos essa única certeza: apenas amar, sempre e somente semente de amor pela vida das palavras. Este é o (uni)verso, via láctea dos que amam poesia: ternura e trabalho, trabalho e ternura pelo poema.

IMAGENS

O poeta com sua mãe, no lançamento de seu livro em abril de 2011.

 O poeta Marcelo Baccino na mesa em cerimônia de aniversário da biblioteca Arthur Viana

                                              O poeta entre amigos e irmandade literária.

                O poeta em momento de descontração com os escritores Luiz Peixoto e Luiz Alho

                               O poeta com os escritores Dilmar Cunha e Juraci Siqueira

   O lançamento do livro Viço Versado contou com a presença da Associação de Resgate e União da Arte Capoeira a qual o autor faz parte com muito orgulho.

  Marcelo Baccino e o querido amigo escritor Daniel Leite.

O poeta e o seu mestre de capoeira, Mestre Silvério.

Uma foto com o confrade escritor Rufino Almeida.

Marcelo Baccino fazendo a dedicatória para o livro adquirido pelo estimado poeta Thiago de Mello.

   Um dia antes do lançamento do seu livro Marcelo Baccino participou do programa Sem Censura Pará apresentado pela belíssima Renata Ferreira.

Tive a honra de compor a mesa de debate do programa Sem Censura com o educador Celso Antunes.

   Marcelo Baccino, o confrade Rufino Almeida e o amigo poeta Eduardo Santos em visita para palestras na E.E.E.F. e M. Tiradentes II

   O poeta ao lado do poeta Juraci Siqueira ao participar de um sarau na Escola Estadual de Educação Tecnológica do Pará Prof. Anísio Teixeira.

VIDEOS



  Nesse video o mestre Suassuna mostra um espetáculo de habilidades ao tocar o Berimbau. Salve Capoeira!

MATÉRIAS & ARTIGOS

López Medel em seu livro intitulado Dos Três Elementos, que foi escrito por volta da metade do século XV explicita os sanguinários crimes que os inescrupulosos colonizadores cometeram. O enriquecimento indevido das metrópoles em detrimento da vida de milhões de índios. Medel faz maravilhosas comparações entre o desumano europeu e o ser humano indígena uma das mais interessantes é a que está na página 184, veja:
“Veja agora e julgue a loucura e excesso nosso e de todo o mundo por aqui (o autor está falando da Europa e seus habitantes). Quem, com demasiadas roupas, demasiados amores e com mais licenciosos artifícios e perniciosos modos de viver se afastou mais daquela folha de parreira de nosso primeiro pai, e daquela pobreza antiga e do cumprimento daquela rigorosa sentença que contra ele foi dada, in sudore vultus tui vesceris pane tuo (com o suor do teu rosto comerás o teu pão), etc., e daquela sinceridade e parcimônia, daquela vida natutal, contentes com pouco, daqueles pais antigos, os domundo daqui se têm por moderadíssimos e modestos, seriam tidos por dossolutos; porque, qual ermitão haverá que chegue a ficar descalço, nu, com a pobreza de vestir, na austeridade das camas e nas insípidas e muito parcas comidas, e ao rigoroso tratamento de todo o resto como um índio?”

Marcelo Baccino




UNIVERSIDADE : TEMPLO do SABER ou MATADOURO da ALMA


Resumo sobre considerações emitidas pelo monge Purusatraya Swami para os devotos de Krshna cursando universidade.
             Quanto a questão de que universidade é Maya (ilusão materialista) ou não, isso vai depender, principalmente, da intenção e do foco da parte do estudante. Tratando o tema filosoficamente, se a pessoa identifica-se com a profissão que ela exerce e o status social que ela representa, em suma, se a alma passa a identificar-se com um atributo corpóreo, isto é, definitivamente a própria essência de Maya.
            Se o estudante simplesmente vai ser treinado para ganhar dinheiro com sua profissão e desfrutar do prestígio de ter essa qualificação profissional, isso certamente é Maya. Se um psicólogo, por exemplo, for treinado para orientar seus pacientes para livrarem-se de qualquer sentimento de culpa que restrinja o desfrute ego-sensual, isso também é Maya.
            Se a universidade tem uma orientação materialista, oportunista, consumista e hedonista, como normalmente vemos, ela será certamente um Matadouro da Alma. Pode ser bem sofisticada, atualizada e de alto nível, mas embrutece a condição espiritual original da pessoa e enfatiza a condição corpórea, fica caracterizada como tal.  Matadouro da Alma? É certamente um termo forte, mas é uma maneira para abrir os olhos daqueles que aspiram fortalecer,  e não debilitar sua própria alma.
            Tomemos o caso das faculdades de psicologia e do ensino da psicanálise. Freud, o idealizador e pioneiro  baseado na teoria da libido, Édipo, inconsciente instintivo, ego-ed-superego, construído no paradigma mecanicista, reducionista, determinista e sobretudo totalmente materialista e ateísta, que deve ser peremptoriamente rejeitado. Ele não considera as potencialidades da alma individual. Qualquer manifestação de espiritualidade é totalmente rechaçada! Religião é um estado de neurose? Dizia ele. Portanto, uma faculdade que ensina esses princípios materialistas, que nega a alma, não pode ser considerada de outra forma a não ser, um Matadouro da Alma!
            Um devoto que estuda filosofia na USP, estava descrevendo-me a situação de seu departamento, a USP tem fama de ser top no Brasil? Especialmente o dep. de filosofia  é tido como o templo do saber? Muitos medalhões da “inteligentzia” brasileira circulam em seus corredores. No entanto, a orientação é totalmente materialista e ateísta, a pregação contra a espiritualidade é ostensiva, os poucos professores que são religiosos são vistos com desdém. Os alunos são totalmente influenciados por esta mentalidade, mistura de capitalismo ateu-demente e marxismo ateu-robô, onde humanidade e ética não existem. (Hadai Pandita Prabhu que fez um mestrado em sânscrito e agora prepara-se para o doutorado, é obrigado a ocultar sua condição de devoto, pois seria boicotado). Com esse quadro o Matadouro da Alma está configurado.
            Muitos cursos podemos considerar como leves: serviço social, letras, línguas antigas, pedagogia, turismo, geografia, matemática, química, farmácia, fisioterapia, arquitetura, desenho industrial, etc. Mas, outros, apesar de fornecer conhecimento secular útil, podem sutilmente influenciar a consciência do estudante e devem ser considerados perniciosos.
            É um fato que grande numero dos médicos são ateus, por quê? Concentrados na carne, manipulando a natureza, negligenciando o espírito, sentem-se superior aos outros humanos, mesmo não conseguindo gerenciar sua própria saúde, são vítimas de um sistema doente, amarrados à parafernália merconsumista.
            A teoria da evolução das espécies de Darwin é um blefe que passou a ser considerado científico por interesse econômico, ela é muito bem aceita no meio acadêmico porque descarta o papel de Deus, dando assim, ao mercado, luz verde para exploração irrestrita da natureza.
            A agronomia convencional de monocultura,  exploração e transformação, tem como meta o aumento imediato da produção. Para isso, usa técnicas antinaturais de manejo do solo, insumos e pesticidas químicos, agrotóxicos, sementes híbridas, transgênicos, etc. A sociedade paga o alto preço do desequilíbrio ecológico, pragas, desertificação, desmatamentos e contaminação ambiental irreversível.
            O ensino da economia adota modelos em que o lucro, pela prevalência do mais forte, é o único parâmetro, acentuando a diferença entre ricos e pobres, e empobrecendo a sociedade com o privilégio de poucos. Hoje em dia, a economia é considerada prioridade, acima do bem estar dos cidadãos, os números acima dos seres vivos...!
             A biologia não hesita em alienar-se dos princípios éticos e espirituais para cometer atos imorais e irresponsáveis fazendo experiências genéticas com seres humanos, plantas e animais, sem nenhuma noção de suas conseqüências.
            Nossa lista pode ir longe. O que dizer daqueles que estudam para tornarem-se cientistas e trabalharem para a indústria bélica, e aqueles que pesquisam a inteligência artificial, como do famoso MIT de Boston...?
            O cultivo da mentalidade materialista na universidade cria um terreno fértil para a degradação, rapazes e moças comportados e ajuizados no segundo grau, assim que entram para a faculdade tornaram-se pessoas com trânsito livre entre drogas e sexo. Este comportamento geralmente não é explicito, pode inclusive, passar despercebido por quem não está ligado. Outras vezes é acintoso e evidente, o que constitui uma ameaça para um estudante devoto...
            Portanto, nossa sugestão é que o jovem adote uma prática espiritual, holística e alternativa, para formar uma sólida base de caráter e compreensão espiritual da própria pessoa e do mundo em sua viagem pelo caminho universitário.
            Depois de tudo que foi dito, queremos deixar claro que não é a nossa intenção desestabilizar a vida dos devotos que estão na universidade. Queremos, sim, alertar quanto ao perigo da influência da mentalidade desumana que impera no sistema geral, e particularmente nas faculdades. Essa mentalidade pode matar nossa alma. Se isso ocorrer, nossa vida será desperdiçada.
            Vamos juntos resistir à influência das forças materialistas perversas que tentam transformar esse mundo num inferno, não vamos desperdiçar nossas vidas, vamos nos unir para construir um modelo digno de ser vivido por aqueles que não perderam a sensibilidade, a sanidade espiritual e a esperança.
            Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare
            Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare





NORMOSE
            Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal.Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se “normaliza” acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?
         Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, sejam lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
           A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?
          Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original.
            Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
            É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
       Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes!".
Martha Medeiros (05/08/07) Jornal Zero Hora – Porto Alegre